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Centro Espírita Leocádio Corrêia > Artigos > Palestras > Série psicológica de Joanna de Ângelis – Parte II, palestra 30.06.25

Série psicológica de Joanna de Ângelis – Parte II, palestra 30.06.25

celcPalestras2 de fevereiro de 20260

 

Série psicológica de Joanna de Ângelis – Parte II

CELC – 30.06.25 – Vinícius

1introdução

Estamos dando continuidade na série psicológica da Joanna de Ângelis. Estamos na segunda parte. A Joanna de Ângelis é um espirito que ficou conhecida por ser a mentora do Médium Divaldo Pereira Franco e ela ditou muito livros através dele e uma das obras é a Série Psicológica, que vem fazer uma ponte entre a psicologia transpessoal, psicanalise, psicologia analítica de Jung e a psicologia espírita. Ela vem durante toda a série complementando essas correntes psicológicas com conceitos espíritas, de forma que a humanidade tenha um material completo para poder se orientar nesse mundo e traçar um rumo em direção a Deus.

Relembrando: é uma série composta por 16 livros e que todos tratam de psicologia de uma forma bem aprofundada. Já estudamos o Livro Jesus e Atualidade, O homem Integral e uma parte do livro O Ser Consciente. Hoje vamos continuar com o Homem Integral e vamos trazer alguns conceitos apenas dos Livros “Vida: desafios e soluções”, “Triunfo Pessoal” e “Encontro com a paz e a saúde”. Fora da série vamos trazer algumas definições dos Livros “Fundamentos da Psicologia analítica”; “Psicologia do Inconsciente”; “Memórias, Sonhos e Reflexões”, todos do Carl Gustav Jung. São só conceitos não vamos aprofundar em nenhum deles. Vamos falar mais detalhadamente do Livro O Homem Integral. Esse livro tem muita coisa interessante e eu não consigo passar para o próximo, quero falar de tudo que tem nele.

2Biografia Joanna de Ângelis

Como vimos ano passado, Joanna de Ângelis é um espirito que já vem há muito tempo reencarnando com o objetivo de ajudar a humanidade na sua escala evolutiva. A reencarnação mais conhecida dela é na época de Jesus como Joana de Cusa, depois veio como Clara de Assis e deu andamento no trabalho iniciado por Francisco de Assis, volta no século 17 no México como Joana Inês de la Cruz, onde fica muito conhecida por sua inteligência e a última que temos conhecimento é como Soror Joana Angélica de Jesus, no século 19, no Brasil. Foi mártir pois enfrentou soldados portugueses que queriam abusar das irmãs do convento que ela fazia parte e esse ato heroico acabou salvando muitas mulheres. Isso tudo contamos com mais detalhes ano passado estamos só repassando, como de praxe.

Atualmente é muito provável que ela se prepara para reencarnar, segundo informações do Divaldo. E ela atuaria na área acadêmica fazendo essa ponte entre ciência e psicologia transpessoal, já que essa corrente psicológica é a que mais se aproxima das questões espirituais. Eu tenho a impressão que ela irá dar mais visibilidade para essa série psicológica que ela mesma escreveu enquanto estava na espiritualidade. Vai ser uma cientista que vai estudar psicologia e vai trazer muitos avanços nessa área. Quem viver, verá. E quem não viver verá também porque estar morto não significa deixar de viver, não é?

3 Estruturas da psique

Vamos introduzir alguns conceitos que vão se repetir durante os anos de estudo. Psique é a mente e é na mente que pensamos, agimos, percebemos, nos comportamos. Dentro da psique temos instancias, recursos, digamos. Uma dessas instancias é o Ego.

Legenda:

CS = Consciência

ICS = Inconsciente

3.1 Ego

O Ego é o centro da consciência. Não é o centro do todo. Os conteúdos que vem do ICS (inconsciente) para o CS (consciente) passam obrigatoriamente pelo Ego. É o porteiro da mente. O SELF – que falaremos depois – precisa do Ego para ser realizado/exteriorizado, para coordenar a evolução. Da mesma forma que o espirito como um todo precisa do corpo para realizar suas funções, a psique precisa do Ego para manifestar as ideias, os pensamentos, etc.

Temos o Ego saudável quando temos consciência de nós mesmos.

“Nenhuma imagem, emoção, sentimento ou ideia pode ser consciente, ao menos que seja associado ao Ego. Não é possível existir consciência sem Ego”.

Quando eu vou me aprimorar, quando eu vou expandir minha percepção das coisas, isso tudo passa obrigatoriamente pelo Ego. Esse processo se chama autoconhecimento e tem o Ego como ponto central, ou seja, podemos e devemos usar o Ego ao nosso favor

Por isso que é errado falar que tal pessoa precisa deixar de ter tal Ego. Uma mente sem ego é uma mente esquizofrênica, é uma mente que fica perdida entre o CS e o ICS. Um paciente com esquizofrenia mais grave fica falando coisas que ninguém entende; é apenas a mente dele passando mais tempo no ICS, ou seja, no passado do que no presente.

Ex.¹: da clínica psiquiátrica.

Ex.²: fase do “não” da criança: Ego se manifestando e se impondo, como uma forma de se desgarrar da mãe.

Ex.³: pensando em várias coisas enquanto dirige. E o Ego age dentro da? CS.

3.2 Consciente

“A palavra consciência vem do latim conscius, que significa conhecer com os outros, participar do conhecimento, ou ‘inteirar’ ”.

É a única parte da psique conhecida diretamente pelo indivíduo, o resto é como se fosse apagado, mais distante.

É tudo aquilo que conseguimos nos relacionar mais objetivamente -> nome, onde estou, idade, clima. Na consciência tenho memoria antiga e recente. A antiga depende muito mas podemos dizer que temos porque nos lembramos de fatos da infância, adolescência, etc.

Mas nem tudo que vivenciamos fica disponível na consciência. A pessoa que vai para o trabalho de carro ou de ônibus todos os dias por 5 anos; certamente não vai se lembrar de todas as viagens, vamos dizer assim (ex. acidente de ônibus -> não está perdido no ICS). Quem vive há anos com a mesma pessoa não vai se lembrar de todas as conversas que tiveram.

3.3 Inconsciente

“O inconsciente engloba os conteúdos psíquicos que não fazem parte do campo da consciência: tudo que eu sei, mas no momento não estou pensando”.

Região da mente mais difícil de ser acessada. Por isso que Gustav Theodor Fechner criou aquela imagem famosa do iceberg. Ele dá o exemplo de um grande iceberg, onde a ponta dele é a consciência e toda a parte que está coberta pelo oceano é o inconsciente (o que seria o oceano?). Imaginem quanta coisa tem nesse ICS.

Quando na definição diz “tudo que sei”, isso quer dizer que tem uma parte de nós que influencia nosso viver, que retém memoria, conhecimento, pulsões, intenções e objetivos, mas a consciência não dá conta de tudo isso. Isso é assustador ou fascinante?

E como acessar esse inconsciente? Meditação (visões->lembranças – meu exemplo); estado alterado de consciência; falhas ao se expressar (fala algo sem pensar); brincadeiras com fundo de verdade; sonhos e transe mediúnico (animismo). A própria intuição é muitas vezes um conteúdo que vem do ICS para o CS.

E é muito difícil acessar o ICS porque o cérebro por mais que seja o órgão mais sofisticado que nós temos, ele não tem capacidade de lidar com tudo que vem do espirito. No livro Vida: desafios e soluções, Joana diz que o períspirito é o grande arquivo extra cerebral complexo.

Pensando na totalidade que somos, onde está a maior porção do espirito nesse momento? No ICS. No ICS: memórias de vidas passadas, memórias das vidas na erraticidade e a vida consciente. Estamos registrando tudo, mas a consciência não comporta. Por isso nos damos conta de algo meio que no susto (nossa, verdade!). É algo que está sendo processado além da consciência, ou seja, pelo espirito como um todo, mas que não tínhamos consciência porque o espírito não é só a CS.

E muitas decisões das pessoas são pautadas no ICS. A pessoa que sente muita culpa, aquela culpa que vem de vidas passadas, é aquela pessoa que costuma tomar decisões pautadas no ICS. A culpa deixa o passado muito vivo na pessoa.

Ex.¹: a pessoa no trabalho que sempre acha que estão castrando as ideias dela. Acham que ele não tem potencial. Mas alguém te falou? Não.

A pessoa acha que as pessoas acham que ela não tem potencial (crença ICS)

Ex.²: pessoa que sempre tem paranoia com a família.

Isso é uma leitura ICS dos fatos. Ideias e direcionamentos dominados por crenças ICS. Isso já nos ajuda a entender a teoria dos complexos ICS.

E tem muitas coisas que fazemos com motivação ICS. Não necessariamente é algo negativo (citar o modo sentinela). Mas se não nos dermos conta aquilo vai começar a determinar nossa vida.

Pessoas que viveram situações traumáticas e tem isso repetido pelo ICS. Pode ser tanto de vidas passadas ou dessa vida mesmo. A pessoa foi muito agressiva com outras no passado. Isso ficou gravado no ICS e hoje ela revive isso, mas no polo oposto, meio que sendo atraída para situações assim. Ou uma situação traumática de infância e aquilo se repete na fase adulta com a pessoa se atraindo a outras que trazem esse conteúdo à tona.

Uma pessoa por exemplo que teve um pai muito agressivo ou ausente e aquilo gerou um trauma. Na fase adulta essa pessoa pode criar aversão por qualquer atitude grosseira que ela presencie. Ou… ela pode se sentir atraída por isso, porque o ICS sempre tende a repetir a experiência. Muito comum o dedo podre: a pessoa se interessa e sente atração por aquela que revive um trauma dela. Porque ela gosta? Não, porque é conhecido. É o ICS repetindo até que se elabore/investigado/tratado.

Mas quando vamos lembrar de tudo? Será que nesse momento devemos ter consciência de tudo? Nesse momento é importante estarmos em harmonia (esquizofrênico não está em harmonia). Ex. Ellen -> R.E. -> Júpiter -> Só na categoria de espirito puro é que vamos lembrar de tudo, de coisas dos tempos mais remotos da humanidade.

E o ICS vai sempre lembrar a consciência que ela não tem o controle de tudo.

Você quer ser uma pessoa gentil e as vezes trata alguém de forma ríspida; você quer fazer dieta e nem sempre consegue (também problema de disciplina); você quer parar de falar palavrão, mas sempre sai alguma coisa; você quer parar de falar mal dos outros, mas hora que vê já está falando. Esse comportamento que você tenta combater está enraizado no seu ICS. Romanos, 7;19: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse eu faço”.

É necessário muito esforço para substituir e em algum momento o meu ICS ter essa “nova cara”. Isso é o ICS que é uma teoria que Freud trouxe. Jung já traz adiciona mais termos. Para ele tem o ICS pessoal e o coletivo.

3.4Inconsciente pessoal

Psicologia do Inconsciente: “O inconsciente pessoal refere-se às camadas mais superficiais do inconsciente cujas fronteiras com o consciente são bastante imprecisas”.

Contém memórias perdidas, traumas, ideias, ou seja, coisas que ainda não estão maduras para o CS.

A linearidade do tempo é percebida apenas pela CS. No ICS o tempo não é percebido da mesma forma. Ou seja, um trauma de infância, um trauma de outra existência, um trauma de agora tem o mesmo peso no ICS.

Ex.¹: Nilson de Souza. Ano passado.

Acontece muito com os espíritos desencarnados. Ficarem perdidos no tempo. Ficam presos ao ICS pessoal.

Os espíritos falaram disso no Livro dos Espíritos:

P – 242: Como é que os espíritos têm conhecimento do passado? Esse conhecimento lhes é permitido?

R: O passado, quando nos ocupamos dele, é presente. Ex.: o esquizofrênico olha para a janela e vê aquilo acontecendo, então para ele é presente.

Muitas vezes os espíritos sofredores não falam que tal coisa de 500 anos parece que foi ontem?

Por isso não podemos julgar o trauma de ninguém e por isso temos tantas pessoas em conflito atualmente, porque os dramas do ICS ainda têm uma grande influência na vida delas. 27 min até aqui.

3.5 Inconsciente coletivo

Joanna: “Possuímos a história da humanidade em nós”.

Qualquer pergunta -> não sabemos -> na verdade não temos acesso.

Já vivemos em outras épocas em outros lugares as vezes até em outros planetas e isso tudo ficou gravado no nosso ICS, mas nesse mesmo ICS também tem as vivencias da humanidade como um todo. E isso tudo conta também, isso tudo está gravado. O que comprova é a experiência do 100º macaco (Encontro com a paz e a saúde).

Experiência do Dr. Lyal Watson na ilha de Koshima no oceano pacíficona década de 50. Jogavam batatas -> certa vez um macaco a lavou -> outros viram e passaram a lavar também -> quando o 100º macaco lavou batatas, todos os outros macacos das outras ilhas passaram a lavar batatas também sem nunca terem ensinados. De onde vem isso? Segundo Jung e Joanna – porque a Joanna cita nos livros dela – isso é o ICS coletivo em ação. Penso que a Joanna não iria colocar esse assunto nos livros dela se não tivesse sentido. Talvez quando o 100º lavou a batata, aquilo gerou força psíquica suficiente para chegar aos outros. Uma experiência de transmissão de conteúdos vivenciados e que acontece até hoje. 10h49

Isso nos leva a concluir que cada pessoa vivendo nesse momento está atualizando nosso ICS coletivo. Eu e todos nós estamos adicionando vivencias nas vivencias dos outros e os outros nas nossas. Será que a intuição entra nesse pacote?

No começo não demos o exemplo do Iceberg? O oceano é o ICS coletivo. Estamos todos mergulhados nesse imenso ICS com todas as experiências vivenciadas pela humanidade.

Alguém quer falar alguma coisa? (40 min)

3.6 Complexos

Jung percebeu que alguns termos causavam determinadas reações nos pacientes. Ele ia listando palavras e vendo a reação da pessoa. Anotava as reações e os tempos de reação. Percebeu que alguns temas eram mais complexos.

“Os complexos são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de emoções”. -> trufas.

Todos nós temos complexos. Podemos citar exemplos até amanhã. Como se formam?

Ex.¹: Uma pessoa que teve alguma dificuldade com uma figura de autoridade da infância e desenvolveu um complexo, por exemplo. Na fase adulta ela pode não saber lidar com a autoridade sendo ela a autoridade ou tendo contato com alguma autoridade seja lá qual for.

Ex.²: A pessoa que se incomoda muito com a família do outro. Pode ser que tenha uma família disfuncional.

Eu entendo que os complexos como algo não resolvido. Algo não resolvido no passado também.

Vi uma frase muito interessante do psicólogo Claudio Sinoti que diz assim: “O problema não é termos complexos, o problema é quando os complexos nos têm”.

Aquilo que eu percebo com facilidade tem muito a ver com o meu complexo.

Quer o melhor exemplo de complexo?
Ex.³: Você fala alguma coisa para a pessoa e ela fica extremamente irritada. Pronto. Mexeu em um complexo dela. Jung vai dizer que os complexos são como subpersonalidades (vaza o conteúdo da bolinha/trufa). E é verdade, você fala uma coisa para a pessoa e ela se transforma, parece que não é ela; ela é tomada por uma força que age ali temporariamente. Alguns de vocês estão pensando que isso é obsessão (fascinação -> pode começar em um complexo). Claro que há obsessão aí, mas há primeiro o complexo dela agindo, porque sempre a raiz do problema está no indivíduo complexado. Vamos deixar os obsessores de fora dessa vez.

Ex¹: complexo de inferioridade; complexo de superioridade; complexo de Édipo (desejo sexual pela mãe); complexo de mãe (ou a pessoa quer ser mãe de todo mundo ou ela quer que todo mundo seja mãe dela, depende de como ela lida com o complexo).

Um complexo pode ser um alerta. Alerta de que algo precisa ser tratado. E vejam como a natureza é sábia. Aquele complexo que eu não trato vai aumentando, até que eu não consigo mais desprezá-lo, e aí chega um momento que eu tenho que tratar. Quais são os seus complexos?

E é importante termos consciência dos nossos complexos, para que quando alguém tocar neles a gente não dê chilique. A gente não fique tomado por essa subpersonalidade. Se eu tenho consciência deles e alguém toca nessa ferida, já não sou pego de surpresa. Primeiro vamos tomar consciência deles. “ah, mas e depois?”. Não sei também. Primeiro vamos identificá-los.

3.7 Arquétipos

Jung tirou a ideia dos arquétipos lá de Platão. Olha como tudo está interligado. Platão dizia que a alma já carregava em si conhecimentos que vieram de memórias adquiridas desde de sua criação divina. E daí veio o padrão de pensamento de Jung que ele chamou de arquétipos.

A palavra “Arquétipo” se origina do grego arkhe, que significa o primeiro, e typon, que significa marca, modelo, ou seja, marcas ou modelos primordiais que constituem o arcabouço psicológico do indivíduo.

Lembram do ICS coletivo? É lá que se encontram os arquétipos.

“Elementos primordiais e estruturais da psique humana. Sistemas de prontidão para a ação, ao mesmo tempo, imagens e emoções. Que não podem em hipótese alguma ser atribuída a aquisições individuais… Pertence a humanidade em geral, e não a uma determinada psique individual”.

Os arquétipos fazem com que aquilo que eu vivo de alguma forma diz respeito a vida de todos os seres humanos. Algo em comum entre todos. Ex.: ombro, coluna, etc. psiquicamente existem estruturas comuns. Mas uma ou outra pode estar colapsada.

Sistema de prontidão para ação/Padrão de pensamento.

Ex.¹: bebê jogado no chão. Acolher. Arquétipo materno. Cada um acolhe de um jeito porque podem ter complexos e vivencias agindo ao mesmo tempo. A mulher que nunca quis ter filho engravida e ela passa a ser a mãe mais cuidadosa, mais delicada. Ativou algo lá no fundo. Ativou o arquétipo de mãe. Criança que sofre uma injustiça e vira policial, bombeiro, soldado. Arquétipo do herói.

Ex.²: criança cai no chão -> “Levanta! ”. Arquétipo paterno: ordem, firmeza. E as vezes dependendo dos complexos que temos exigimos que a criança nunca chore. Qual é a primeira coisa que fazemos quando uma criança cai? A gente evita que a criança chore, tenta distraí-la. A criança entra em conflito: “estou sentindo dor e não posso chorar? Não posso expressar? ”. Na verdade, impedimos muitas vezes a criança de chorar porque nós não lidamos bem com o choro, nós achamos que chorar é demonstrar fraqueza.

Não podemos confundir arquétipos com instintos.

Os arquétipos estão para a psique assim como os instintos estão para o corpo.

“Os instintos são formas típicas de comportamento e todas as vezes que nos deparamos com formas de reação que se repetem de maneira uniforme e regular, trata-se de instinto”. Ex.: ave que constrói o ninho sempre da mesma forma.

E a ideia é que a gente vá aos poucos desapegando dos instintos. Jesus é o exemplo disso. Não agiu em nenhum momento por instinto. O ser humano quando se sente ameaçado tem ou o instinto de fugir ou de agredir como forma de se defender. Jesus ao ser preso não reagiu instintivamente, já Pedro agiu diferente e instintivamente foi violento e cortou a orelha do soldado. Essa passagem de Jesus é um exemplo clássico disso. Estamos só comparando os instintos dos arquétipos.

Ex.³: em uma comunicação mediúnica, se o espirito quer falar pelo médium que a terra é a grande mãe de todos nós… se o médium não tem o arquétipo de mãe, não conseguiria identificar essa mensagem, ia faltar esse componente na psique do médium.

Resumindo: os arquétipos são gavetas e os complexos são os conteúdos dentro das gavetas, ou é a caixa de trufa, sendo que as trufas são os complexos. Ou também podemos dizer que são como barras de ferro que compõem os pilares que sustentam um prédio. Neste caso o prédio é a nossa psique.

3.8 Sombra

“Soma de todos os elementos pessoais e coletivos que, incompatíveis com a forma de vida conscientemente escolhida, não foram vividos e se unem ao inconsciente, formando uma personalidade parcial, relativamente autônoma, com tendências opostas ao consciente”. -> Jung em Memórias, sonhos e reflexões.

A sombra precisa ser iluminada e para tal ela precisa da visita de quem? É uma estrutura da psique que já falamos. O Ego. Como o Ego visita a sombra? Com a vontade de se melhorar.

E como Deus não dá ponto sem nó…enquanto o complexo aumenta, a sombra se não a reconhecemos em nós, encontramos no outro. A psicologia chama de projeção. O que me incomoda no outro é uma sentinela da minha sombra.

Em Mateus 7, Jesus diz: “³ E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu? ”

Mas também não é algo totalmente ruim. Pode ser algo que está só reprimido. Se nessa existência estou trabalhando algumas questões, naturalmente outras não estão sendo trabalhadas. Aquilo está na sombra.

3.9Persona

A persona é o oposto da sombra.

“A persona é na verdade aquilo que não somos, mas aquilo que tanto nós como os outros pensamos que somos. É o ‘eu’ que apresentamos ao mundo exterior”.

Não dá para fugir da persona, todos temos. No trabalho somos uma pessoa, em casa outra, com os amigos outra. O que não podemos é nos identificar demais com a persona. Não podemos perder a essência. Não posso falar aqui no centro que crime é algo errado, mas em um outro grupo eu concordo porque quero ser aceito lá. Mas existe esse conflito.

A persona possui dois aspectos: positivo e negativo. O aspecto positivo está associado à adaptação do sujeito ao seu meio social. O aspecto negativo surge quando o Eu se identifica com a persona, fazendo com que a pessoa se distancie e desconheça sua real personalidade, a alma.

O conflito da persona fica muito evidente fora de casa. O exemplo mais clássico é aquela pessoa no templo religioso (melhor definir assim pois abrange todos, até os espíritas) ela é uma santa ou um santo. É de uma caridade que meu Deus, não sabemos porque ela está reencarnada nada terra. Dentro de casa todo mundo odeia ela. Em casa ela não consegue sustentar.

Quando não há vontade genuína a persona não sustenta.

Tudo aquilo que é sombra é manifestado pela persona.

Ex.¹: medo -> demonstrar coragem muitas vezes com agressividade. Eu tenho uma insegurança como sombra e tento compensar me enchendo de bens materiais na persona = vive de aparência.

No processo de melhora intima: você tenta mudar e aquilo gera incomodo ao redor -> porque a persona muda e gera estranhamento.

Ex.²: bebida – a pessoa está mudando aquela persona. Não quer mais a persona que bebe, pois, as vezes ela percebeu que isso não é interessante para ela.

Ex.³: a pessoa que quer mudar um comportamento e sai falando para todo mundo que mudou. Refrigerante, carne, dieta.

Saber da persona nos ajuda a entender melhor algumas coisas. Tipo: quando alguém nos elogia… devemos refletir se esse elogio não somente sobre a minha persona. Aí fica muito fácil ser elogiado só por aquilo que eu mostro para o mundo. Se for, devo controlar a minha vaidade. Muitas vezes a reforma intima vai começar na persona. Eu vou mostrando algo para o mundo até que aquilo se integre e eu seja aquilo de fato. O problema é quando fazemos isso só para ganhar elogios e ser bem visto. Ai já é outra coisa.

3.10 Self

“Centro regulador e coordenador da vida psíquica, que corresponde simbolicamente à imagem de Deus em nós. O Self não é somente o centro, mas também a circunferência total, que abarca tanto o consciente quanto o inconsciente; é o centro da totalidade, assim como o Ego é o centro da consciência”.

O Self é o que diz os especialistas o grande paradoxo da psicologia analítica, porque ao mesmo tempo que é o centro é também o todo. Então, o ICS abarca a maior parte de espírito, mas sua totalidade é o SELF. E o nosso objetivo é integrar todas essas estruturas em uma coisa só, por meio da individuação. Não tem nada a ver com individualização. É individuação.

Filosofo Friedrich Nietzsche: “Torna-te quem tu es”. Por que isso? Porque o que temos que nos tornar já está dentro da gente, está lá no Self.

É a instancia superior da psique. É o arquétipo de Deus. É lá que mora o anjo, ou, para nós, o espirito puro. E detalhe, o Self existe antes de começarmos a reencarnar em corpo humano. No espirito mais maléfico da caverna mais profunda do umbral lá vai ter o Self na psique dele também.

Ex.¹: André Luiz no umbral pode ter sido influenciado pelo Self quando parou para refletir sobre a vida e decidiu pensar em Deus. Pode ser intuição de um anjo protetor, mas para aquilo encontrar um reflexo nele, teve a influência do Self.

Quando falamos na parte do ICS comentamos do períspirito. E na doutrina aprendemos que é nele que ficam gravadas nossas experiências e é também a partir dele que o corpo vai puxar a imperfeições e exteriorizar em forma de doenças, deficiências, etc., mas como o períspirito sabe o que é certo e o que é errado?

Porque existe uma diretriz, que é coordenada pelo Self.

Depois de tudo isso: não somos o que achamos que somos, não somos só o que somos. Somos o que fomos e o vir a ser… o que vamos nos tornar também é parte de nós, porque já existe em nós.

4 O HOMEM INTEGRAL

4.1 Capítulo – Plenificação interior

Relacionamentos perturbadores

Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam-se incapazes de manter um relacionamento estável. Pela própria constituição psicológica, são perturbadores de afetividade obsessiva e, porque inseguros, são desconfiados, ciumentos, por consequência depressivos ou capazes de inesperadas irrupções de agressividade.

Afetividade obsessiva. Vemos muitos casos por aí, dos relacionamentos tóxicos. Vou perguntar, mas não é necessário responder: quem aqui já passou ou conhece alguém que está ou já esteve em um relacionamento tóxico, abusivo?

E o que acontece geralmente: esses relacionamentos acontecem quando um narcisista encontra uma pessoa insegura. Mas no fundo de tudo, os dois são inseguros. O comportamento narcisista também é reflexo de uma insegurança profunda que o indivíduo está tentando compensar tendo uma pessoa sob controle. A insegurança o torna vazio, e ele tenta preencher.

Os relacionamentos humanos tornam-se, portanto, perturbadores, desastrosos, por falta de maturidade psicológica do homem, em razão, também, dos seus conflitos, das suas obsessões e ansiedades.

Graças ao autoconhecimento ele adquire confiança, e os seus conflitos cedem lugar ao amor, que se transforma em núcleo gerador de alegria com alta carga de energia vitalizadora.

O amor pleno entre duas pessoas surgem quando elas estão no mesmo nível, sem traumas, sem insegurança. Se de um lado há amor e de outro uma insegurança mascarada de amor, aí teremos um relacionamento descompensado ou até mesmo perturbador.

A solução, para os relacionamentos perturbadores, não é a separação, como supõem muitos. Rompendo-se com alguém, não pode o indivíduo crer-se livre para um outro tentame, que lhe resultaria feliz, porquanto o problema não é a da relação em si, mas do seu estado íntimo, psicológico.

É aquela pessoa que está ainda em busca do amor próprio e porque insegura, não acredita que esse amor pode brotar de si mesmo, ela busca o amor em outra pessoa, e como não é possível encontrar no outro algo que ainda não existe dentro de si, vive em constante estado de frustração, pulando de uma parceira para outra ou de um parceiro para outro. Isso é resultado dessa insegurança que é alimentada toda vez que a pessoa está com alguém. É quando a conquista do amor do outro passa a ser um prêmio. O outro se torna um prêmio. E é por isso que mesmo sofrendo ela não larga, porque não quer perder aquele prêmio.

Tanto que é um prêmio que a pessoa quando percebe que o relacionamento não vai dar certo, ela finge que não está vendo, porque a ideia de estar sozinha traz um imenso pavor, e é a partir daí que a pessoa passa a aceitar o relacionamento abusivo, tóxico e cai na migalha afetiva. Tudo para fugir desse estado de insegurança que ela sente quando não tem esse alguém, essa escora que mascara a insegurança.

O relacionamento começa a ruir. Pronto. Aquilo é uma realidade. A pessoa deve usar aquela realidade para se mexer, tentar resolver, buscar uma melhora no seu estado íntimo e partir para algo melhor, porque certamente aquilo não está fazendo bem. Esse deveria ser o modelo: usar a realidade para me melhorar. Mas o que frequentemente acontece é que alteramos a percepção de realidade para continuarmos do jeito que estamos. Aceitar aquela realidade é muito doloroso, então eu altero a minha percepção.

É quando a pessoa em um relacionamento passa a dar descontos à outra que a machuca. “Ah, mas ele me agrediu porque estava muito irritado; ele gritou comigo porque eu falei uma besteira; ele não me trata bem porque está muito estressado no serviço”. Ai eu sempre encontro uma solução para aquela realidade que bate à porta.

Gente, se é necessário fazer um esforço muito grande para ver o lado bom da pessoa, já é um sinal de alerta. Se eu parei e fiz esse exercício, há grandes chances de acontecer o que acabamos de comentar: pessoa alterar a realidade para não ter que se mexer.

Não, é uma pessoa que não te faz bem, é uma pessoa que não te ama, é uma pessoa que só te usa. Essa é a realidade. Essa. Não é outra. Se a pessoa te bate, te agride verbalmente, se te faz passar vergonha. Eu afirmo a vocês: essa pessoa não te ama e você por estar com ela também não se ama.

Agora voltamos para o ICS que leva o indivíduo a repetir as experiências. Alguns psicólogos dizem que acaba sendo comum esses relacionamentos tóxicos durarem porque a pessoa que é judiada, geralmente ela teve uma infância de escassez afetiva e de muito conflito. Isso gera um trauma, e esse trauma passa para o inconsciente e a pessoa leva isso para a fase adulta. Quando ela encontra uma pessoa que dá a migalha emocional, uma pessoa que gera conflitos, gera instabilidade emocional, ela volta ao inconsciente e passa a sentir uma atração pela pessoa que traz isso à tona, porque aquilo é conhecido, e o inconsciente tende a repetir a experiência. E a pessoa não se desvencilha.

Tanto que as vezes a pessoa apanha e depois volta. E ninguém entende. E de tanto viver nesse caos, ela começa a enxergar aquilo como um padrão. Quando ela encontra alguém que a trata com amor, com carinho, sem essa loucura, ela sente que aquele não é o lugar dela, sente que falta algo: falta aquele padrão que ela aprendeu desde a infância quando ela teve uma carência afetiva. E no que ela recebe amor de verdade ela não sabe lidar porque é desconhecido; é quando a pessoa se afasta, é quando ela diz que está confusa, e as vezes o relacionamento acaba. Qual é o exercício? Educação intima (enxergar os complexos), terapia, acompanhamento, para ela aprender a ser amada, porque o que ela recebia antes era tudo, menos amor.

E muitas vezes a pessoa só aceita sair desse relacionamento se ela vê oportunidade de entrar em outro. Isso os psicólogos contemporâneos estão dando o nome de síndrome do Tarzan. A pessoa que aprende a viver sozinha é muito poderosa.

4.2 Capítulo – O homem perante a consciência

Nascimento da consciência

“A consciência, do ponto de vista filosófico, é um ‘atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se caracteriza por uma oposição básica, essencial. É o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo – bem como aos denominados estados interiores e subjetivos – a distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos da integração’ ”.

Quando vi esse capítulo fiquei pensando: quando surgiu a consciência? Quando passamos a ter noção dos nossos atos? Quando começou essa percepção das questões intimas?

Qual o conceito de consciência mesmo?

Segundo o paleoantropologo Walter Neves, o maior especialista em evolução humana do Brasil, em seu livro “A origem do significado”, 40 mil anos atrás, na Europa, em uma era chamada de Revolução Criativa do Paleolítico Superior, o cérebro humano sofreu uma mutação genética e passou a ter consciência dele mesmo e o ser humano começa a dar significado as coisas. E porque os cientistas sabem disso? Por que isso bate com as primeiras manifestações artísticas: esculturas (Hohlentein-Stadel), os primeiros objetos de uso pessoal (colares), pinturas rupestres representando a si mesmo ou figuras abstratas, que segundo a doutrina, já eram visões que os humanos tinham do plano espiritual (mediunidade). Na África, essa manifestação artística é mais antiga, vai para entre 100 a 75 mil anos atrás.

Então, segundo a ciência nós já estamos lidando com a razão há mais ou menos 100 mil anos, e mesmo assim a CS é uma aquisição recente da humanidade. Será que é por isso que a CS não tem o controle de tudo? Se essas informações estiverem corretas, o ICS é muito mais antigo que a CS.

Será que já temos responsabilidade pelos nossos atos desde aquela época? Será que a partir daí começaram nossas expiações? Ainda não sei a resposta certa para isso, mas estou buscando. Quando descobrir trago para vocês.

E é um processo natural o despertar vir depois do nascer. Nascer não significa necessariamente despertar. Provavelmente não despertamos há 100 mil anos. Na psicologia espirita falamos muito no despertar da consciência, que é trabalho de cada um. O nascimento da consciência com certeza foi um ato da espiritualidade. Lembram da mutação genética? Não foi à toa. Agora, o despertar é trabalho de cada um. A espiritualidade certamente nos ajuda, mas o despertar é de cada um.

E como é o despertar da humanidade no geral? No sofrimento.

E é muito complicado as vezes para as pessoas entenderem esse processo porque muitas vezes essa dificuldade leva a pessoa ao centro ou algum lugar que não seja na medicina convencional e aí a pessoa sente um alívio, mas logo depois esse alívio é seguido de uma “piora” e nem sempre essa piora é naquilo que a fez buscar o centro e ela não percebe. E é nesse ponto que entra o entendimento das questões espirituais.

Tem uma frase de Emmanuel que nos esclarece isso, que diz assim:

“Quando você se aproxima de Deus, ele tira algo de você e coloca um pouco Dele”.

Nessa hora, meus amigos, nessa hora você perde algo que vale muito para você e pouco para Deus, e você sofre. Sofre a dor de perder algo que nunca te pertenceu, porque tudo que pode ser lhe tirado, acredite, nunca foi seu. Já perceberam que a gente só sofre por perder coisas que não nos pertencem de fato? O que nos pertence de fato não chegamos a sofrer, porque aquilo que se conquista intimamente não se perde. Jesus dá alguns recados reforçando essa questão das perdas, das renuncias, dos sacrifícios. Em João 21:18:

“Em verdade lhe digo que, quando eras mais jovem, se vestia e ia para onde queria, mas, quando for velho, estenderás as mãos e outro o vestirá e o levará para onde não queiras ir”.

Claramente Jesus se refere as renuncias que um cristão irá fazer enquanto o segue. Depois, em Atos 9:16, quando encontra Paulo, ele diz:

“Vou lhe mostrar o quanto deves padecer pelo meu nome”.

Ele disse isso faz tempo, mas a mensagem é muito atual. Essas passagens tem um teor psicológico por trás. Tem muito a ver com a maturidade psicológica que todos devemos atingir. Todos que se propuseram a seguir Jesus passaram pelo processo de maturidade psicológica. Ou vocês acham que Paulo de Tarso, Joana de Cusa, Maria de Magdala, Simão Pedro, e tantos outros nomes que hoje são lembrados, depois de tudo que passam, não saíram das experiências mais maduras psicológica e espiritualmente?

Todos esses foram para lugares que não queriam ir: padeceram pelo nome de Jesus. Ainda por outro lado, essa fala de Jesus, quando diz que vai levar Pedro para lugares onde ele não queria ir, psicologicamente, é interpretado como a viagem interior; ninguém quer muito viajar para dentro. E você pega os ensinamentos de Jesus e todos levam para isso.

Ex.¹: “Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fosse feito”.

Aplica isso todos os dias da sua vida para você ver se você não sai dessa existência bem melhor. É uma terapia. Corrente psicológica que surgiu há dois mil anos. Uma frase de Jesus é uma corrente psicológica.

E quando Jesus fala da renúncia, não é só material. Geralmente pensamos na renúncia material. Devemos renunciar a um padrão de comportamento. Ex.: medo, impulsividade, TOC, pessimismo. E vamos abrindo mão. Evoluir é abrir mão de defeitos.

Os sofrimentos humanos

O sofrimento se apresenta, na criatura humana, como uma enfermidade que necessita de tratamento conveniente, em que se invistam todos os valores ao alcance pela primazia de lograr-se o bem-estar e o equilíbrio fisiopsíquico.

Então, se de alguma forma você sofre, você precisa se tratar.

Mas, se tem alguém aqui não sofre, tenho uma má notícia: ainda não percebe que sofre – o que é terrível. Todos nós ou passamos por momentos difíceis ou estamos passando ou vamos passar. É só uma questão de tempo. E isso não é para desanimar ninguém, isso é apenas uma constatação que a doutrina nos traz. Ninguém que está reencarnado em um mundo de provas e expiações passa ileso, ninguém, nem mesmo os mais evoluídos. Ex.: Alcione do livro “Renúncia”.

Mas, desde que nos encaixamos nesse grupo de sofredores e sabendo que isso é uma doença, não nos resta outra opção senão tratar. Tratar a doença ou o doente? Porque a doutrina nos ensina que não há doenças, e sim doentes. Isso traz a responsabilidade da cura para nós.

Por que estou falando isso? Na verdade, estou reproduzindo.

Encontrado o sofrimento, o homem tem o dever de identificar as suas causas, que procedem dos atos degenerativos próximos ou remotos, referentes às suas reencarnações. Ao lado daqueles que ressumam das dívidas cármicas, estão os decorrentes das suas emoções desequilibradas, que têm nascentes no egoísmo, no apego, na imaturidade psicológica. Dentre outros, apresentam-se em plano de destaque, o medo, o ciúme, a ira, que explodem facilmente engendrando sofrimento.

Chega o momento de buscar-se a cessação deles, qual ocorre com as enfermidades que devem ser tratadas com carinho, porém com disciplina. De um lado, é imprescindível ir-se às causas, a fim de fazê-las parar, ao mesmo tempo evitar novos fatores desencadeantes. Conhecidas as origens, mais fáceis se tornam as terapias que, aplicadas convenientemente, resultam favoráveis ao clima de saúde e de bem-estar.

Bom, não sei se é do conhecimento de todos, mas eu por muito tempo tive um medo muito grande, já estou conjugando no passado porque já caminhei um pouco no sentido de superar. Um medo que me causou muito sofrimento. Que é o medo de voar de avião. Eu não tinha esse medo, mas depois que aconteceu um acidente aéreo aquilo me despertou um medo terrível.

Eu estava na doutrina quando isso aconteceu, e a doutrina sempre falando do medo, do medo, que é algo terrível para o ser humano e eu comecei a ficar incomodado com esse medo. Comecei a ficar até com uma certa raiva. Odeio sentir raiva. Tenho raiva de sentir raiva, e isso faz eu me mexer. Iniciei então um processo que eu chamei de “dar racionalidade ao medo”. Comecei a racionalizar. Não só sentir, mas entender, descobrir de onde vem. E eu comecei pelo começo: fui fazendo o exercício de buscar de onde vinha. Parti de um ponto: esse medo é dessa vida? Se é dessa vida onde ele começou?

Bom, nessa vida esse medo começou em 2015 quando eu vi a notícia de um acidente aéreo. Ok. Mas antes disso houveram outros acidentes que não me despertaram isso. Isso me fez pensar que na verdade aquele determinado acidente me trouxe uma lembrança de um trauma. Mas esse trauma não é dessa vida, porque eu nunca sofri um acidente aéreo. Pelos conhecimentos que a doutrina nos traz, entendi que isso veio do passado, de uma outra existência que não me foi possível saber ainda. Mas, vejam, isso não me impede de começar a trabalhar essa cura, porque é uma cura, esse medo é uma espécie de doença.

E aí é que Deus entra na parada. Deus quando vê que estamos tentando vencer algo, nos dá a oportunidade de colocar aquilo em prática. E nesse período de 2015 para cá fiz alguns voos. E em 90% deles eu não paguei ou paguei muito pouco (para não ter desculpa). Essa é a principal característica da prova. Só depende. Mas foram voos tranquilos (medo não é de avião, de quando ele balança e eu passo a ter noção do quanto está alto). Era um treino. O jogo mesmo viria em breve. Até que em 2023 eu fiz uma viagem. Mas antes eu vou contar o contexto para vocês. Não vou contar só do voo em si.

Visitar irmã-> passagem mais em conta-> comprei 2 meses de antecedência -> recebi 5 dias antes (no dia que ia cancelar, já tinha me estressado bastante, elogiado bastante o cara que me vendeu a passagem) -> viagem na quarta -> centro na segunda -> diarreia -> noite toda, dia todo -> viagem na terça de madrugada -> dúvida -> viajei -> Metrô de SP -> vai ou racha (fui usar o banheiro 2 dias depois de já estar lá) -> idosos -> vou orientar -> ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) -> não entendo muito bem mas sei bem como funciona -> faz os voos serem mais turbulentos -> não foi turbulento -> foi muito turbulento -> assento do avião -> “ta vendo fio, não sai disso” -> olhava em volta -> todos dormindo (ou todo mundo tomou um sossega leão ou não estava perigoso) -> parei para pensar -> cheguei em uma conclusão -> depois disso parou -> estava dando muita atenção aquilo.

Quando focamos muito em uma coisa aquilo cresce, é como se fosse um monstro que é alimentado pela atenção que você emprega. Você cria, você alimenta, você engorda esse monstro, e ele vai te consumindo depois, você vira o alimento dele, porque isso vai te limitar, vai te trazer sofrimento.

E fiquei lá mesmo pensando em tantas coisas nós empregamos atenção demasiada e aquilo nos gera os sofrimentos humanos, que é o título do nosso capítulo.

Ansiedade – atenção para o medo

Ciúmes – atenção para as paranoias

Vaidade – atenção para a imagem de si mesmo

Egoísmo – atenção para o benefício de si mesmo

Pessimismo – atenção demais para as coisas negativas

E eu estava dando muita atenção para aquilo porque eu estava preocupado com o meu conforto, não queria passar pela situação que me causasse medo, estava sim procurando enfrentar o medo, mas chega na hora ali vem um impulso de você não passar por aquilo. E naquele momento de muita turbulência, eu desejei ser a pessoa mais poderosa da terra, para poder ter autoridade de fazer parar aquilo ali naquele instante e aquele avião se tele transportar para terra firme, mas na hora também pensei que seria egoísmo porque tinham muitas pessoas no avião que tinham que chegar em seus destinos.

E eu orei muito. Olha, minhas orações foram muito sinceras dentro daquele avião. Elas eram sinceras, mas não eram realizáveis. Porque Deus não estava preocupado com o meu conforto, Deus estava preocupado com o meu aprendizado. Então se tiver que doer para você aprender, Deus vai permitir que seja dolorido.

Se Deus ouve minhas orações e me tira daquela situação, me tira também a oportunidade de passar por aquilo, eu não tenho condições de chegar nas conclusões que eu tinha que chegar para começar a me tratar. É por isso que muitas situações ruins não cessam com facilidade. Esse tormento aí durou horas.

Lembrei de um diálogo que Jesus tem com Tiago, que está no Boa Nova, que diz assim: “Devemos considerar que o mundo está cheio de crentes que não entendem a proteção dos céus senão nos dias de tranquilidade e triunfo”

“Não devemos pensar no Deus que concede, mas no Pai que educa; não no Deus que recompensa, sim no Pai que aperfeiçoa”

E o dia que vocês presenciarem um aperfeiçoamento confortável vocês podem procurar um tratamento psicológico porque estarão delirando. E aquilo foi um aprendizado enorme para mim, e esse episódio foi crucial para esse aperfeiçoamento que estou passando nesse setor da minha vida. Mas mesmo assim, a alma humana ainda hesita e eu sai daquele voo prometendo para minha irmã que eu não voltaria para lá tão cedo. E eu jurava que eu tinha razão naquilo que eu estava falando. Viajei lá com ela, voltei, o voo de volta foi tranquilo. Um ano se passou e eu refleti muito sobre isso. Ganhei coragem e fui para lá de novo. Mas fui com o pensamento diferente: dando menos atenção para o meu medo. O medo ainda estava, eu não o desprezei, mas ele não recebeu a atenção que ele achava que merecia. Vejam que sempre depende da gente. Tudo depende do Ego.

5 Conclusão

A doença solicita medicação, e a ignorância exige esclarecimento.

Joanna de Ângelis.

6 Bibliografia consultada

A psicologia analítica de Carl Gustav Jung: apontamentos de aula. RAMOS, L. M. A.. ETD – Educação Temática Digital, v. 6, n. 2, p. 192, 12 nov. 2008.

Encontro com a paz e a saúde, pelo espírito Joanna de Ângelis – Psicografia de Divaldo Pereira Franco – Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada, 2007.

Memórias, Sonhos e Reflexões – Carl G. Jung. SILVA, G. Disponível em: <https://www.academia.edu/94656759/Mem%C3%B3rias_Sonhos_e_Reflex%C3%B5es_Carl_G_Jung>.

O Novo testamento, Centro Bíblico de São Paulo – 4ª ed. – Editora “AVE MARIA” LTDA, 1969.

O Homem integral, pelo espírito Joanna de Ângelis – Psicografia de Divaldo Pereira Franco – Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada, 1990.

O ser consciente, pelo espírito Joanna de Ângelis – Psicografia de Divaldo Pereira Franco – Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada, 1995.

O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec. Editora IDE,1864.

Psicologia do Inconsciente Vol. 7/1 PDF. JUNG, C.. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://cdn.bookey.app/files/pdf/book/pt/psicologia-do-inconsciente-vol-71.pdf>. Acesso em: 29 jul. 2025.

Revista “Meu Retiro”. Você conhece a teoria do 100º macaco? Disponível em: https://revista.meuretiro.com.br/voce-sabia/teoria-do-centesimo-macaco/. Acessado em: 08/07/25.

Triunfo Pessoal. 7. ed. /pelo Espírito Joanna de Ângelis [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2013. (Série Psicológica, volume 12)

Vida: desafio e soluções, pelo espírito Joanna de Ângelis – Psicografia de Divaldo Pereira Franco – Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada, 1997.

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