Centro Espírita Leocádio Corrêia

Evangelização, Cura e Desobsessão

  • Início
  • O Centro
  • Horários
  • Biblioteca Virtual
  • Palestras
  • Artigos
    • Lista de Artigos
    • Ver Categorias
  • Links
    • Kardec
    • Revista Espírita
    • Biografias
    • Rádio
  • Contato
  • Início
  • O Centro
  • Horários
  • Biblioteca Virtual
  • Palestras
  • Artigos
    • Lista de Artigos
    • Ver Categorias
  • Links
    • Kardec
    • Revista Espírita
    • Biografias
    • Rádio
  • Contato

Artigo

Centro Espírita Leocádio Corrêia > Artigos > Palestras > Jejum Moral – palestra 25.02.25

Jejum Moral – palestra 25.02.25

celcPalestras4 de março de 20260

JEJUM MORAL

CELC – 25.02.2026 – Graziela

1.- AGRADECIMENTO:

Primeiramente, gostaria, mais uma vez, de agradecer à Deus por me trazer à esta casa, por vias não tão doces e retas, mas, muitas vezes amargas e sinuosas; agradecer à Jesus por me permitir abrir não só meu coração, mas principalmente meus olhos espirituais. Como muitos sabem, o primeiro a se beneficiar com o estudo é aquele que o preparou, pois fica gravado na nossa consciência e no nosso coração (e esse estudo mexeu comigo); agradecer ao professor Allan Kardec pelo privilégio de partilhar dessa doutrina esclarecedora; e, ninguém menos importante, que minha família pelo apoio condicional e por entenderem e compreenderem minhas regulares ausências de casa. Aos dirigentes desta casa por me permitirem trabalhar em nome do mestre Jesus, levando palavras de conforto e carinho às pessoas e à todos meus amigos que vibram e torcem por mim. É desafiador estar aqui em cima, principalmente, falando para pessoas que vivenciam desta doutrina há anos à fio. Espero não desapontá-los e sintam-se abertos para quaisquer apontamentos, esclarecimentos e correções. Que Jesus me conduza e que abençoe à cada um de nós.

2.- RAZÃO DO TEMA:

Pensei em diversos temas a serem abordados nesta noite, mas escolhi algo que acima de tudo fizesse ainda mais sentido ao meu espírito, que, ainda errante, caminha em constância e em busca da evolução; evolução moral e por consequência, minha evolução espiritual. E, pautados na tríade que são os pilares do espiritismo, que é a CIÊNCIA, a FILOSOFIA e a RELIGIÃO, divido com vocês o tema do meu estudo que é o JEJUM MORAL.

3.- SIGNIFICADO DA PALAVRA:

Na etimologia da palavra, o termo “jejum” se refere ao ato de abster-se de comer ou de consumir certos alimentos por um determinado período de tempo. É uma prática presente em muitas culturas e religiões, geralmente com fins espirituais, disciplinares ou até mesmo de purificação do corpo. Jejuar é o ato de praticar o jejum.

De acordo com a ciência e a medicina, quando jejuamos, nosso estômago reduz a produção excessiva de ácido, cicatriza a mucosa e diminui determinadas inflamações; no fígado, queima a gordura acumulada, melhora a sensibilidade à insulina e “desliga” os processos inflamatórios existentes. Quando a informação do jejum chega no intestino, com menos estímulo digestivo, a barreira intestinal se fortalece, as bactérias boas se reorganizam e as toxinas param de chegar ao cérebro, e quando atingem o coração, o sangue fica menos inflamado, a pressão se equilibra e as artérias funcionam com menos stress oxidativo. E por fim, ao chegar até o cérebro, ativa o foco e a clareza mental; menos glicose, menos inflamação; mais saúde e mais disposição.

Maravilhoso não é? Hoje em dia muitas pessoas estão preocupadas com a saúde física, há linhas e correntes de estudos maravilhosos falando sobre a importância do jejuar do alimento e os benefícios que a prática traz para o funcionamento equilibrado do corpo. Eu, por exemplo, nunca utilizei do jejum, no sentido restrito, como forma religiosa. Embora crescida em família católica, não era prática habitual dentro da minha casa. Mas, com o passar do tempo, buscando saúde física, confesso que fiz bastante jejum de alimentos. O famoso jejum intermitente, que muitos conhecem. E de fato, há muitos benefícios.

Enfim, muito se fala em JEJUM.

Especialmente em determinadas épocas do ano, quando algumas tradições religiosas convidam à abstinência alimentar, o que coincidentemente calhou de eu estar aqui falando sobre o tema, num período que acabamos de iniciar, que é a tão falada quaresma, praticada pela igreja católica. Mas o meu objetivo aqui é falar sobre o contexto espiritual e moral, tratar do JEJUM MORAL, passando de um simples ato de abster-se de comida, para uma prática mais disciplinar, envolvendo pensamentos, atitudes e sentimentos, buscando purificar a mente e o coração, evitando maus hábitos, impulsos ou ações prejudiciais. Jejum moral é um conceito ligado à moral e à ética do indivíduo, voltado para o auto-aperfeiçoamento espiritual.

Pensado nisso, gostaria de propor uma reflexão mais profunda: Do que precisamos jejuar?

Agora especialmente nesse período da quaresma, tem gente que fica 40 dias sem comer carne, sem tomar café, sem comer doce, chocolate, mas não consegue ficar 40 minutos sem ferir alguém.

Jejua do prato, mas não jejua da dureza, da aspereza, não jejua do julgamento, não jejua das palavras que esmagam em silêncio, que humilham. E o que Jesus e Deus espera que façamos? Deus e Jesus, através de seus ensinamentos nos faz um convite. Convida-nos, dentre tantos outros exemplos, a jejuarmos das palavras ofensivas. Num mundo onde todo mundo grita, todo mundo ataca, cancela em segundos, Jesus nos alerta de forma simples e de maneira que nos deixa envergonhados, e profundamente desconfortáveis, a parar DE FERIR COM A BOCA. Porque hoje nós aprendemos a ferir as pessoas sem tocar, com comentários, com ironias, com desprezo, com julgamentos. Palavras que as vezes parecem pequenas mas ficam morando dentro de alguém por anos e o mais inquietante é que isso também acontece dentro da fé.

Gente que ora, mas não ama. Gente que levante às mãos para Deus, que fecha os olhos, mas usa a boca para destruir quem Ele criou. Só que isso não é novo. O profeta Isaias, já denunciava, lá no capítulo 58, denunciava um povo que jejuava, orava, fazia ritual, era profundamente religioso e continuava humilhando gente.

E Deus nos faz uma pergunta que atravessa séculos. É ESSE JEJUM QUE EU ESCOLHI? Por que o jejum que Deus escolhe nunca foi sobre estômago vazio, sempre foi por um coração cheio de misericórdia, por braços abertos, foi sobre parar de apontar o dedo, sobre soltar a violência da própria linguagem. Sobre como tratar gente, como gente. Jesus nunca elogiou um jejum que afastasse de pessoas, ele revelou um caminho que aproxima, que cura, que restaura.

E talvez o problema do nosso tempo não seja falta de fé, menos ainda de religião. Seja falta de amor, porque é mais fácil mudar o prato, do que mudar o coração. Mais fácil abrir mão da comida, do que abrir mão do direito de ferir de alguém. Mas aqui está a pergunta que realmente importa. Quantas pessoas hoje estão carregando o peso de uma palavra que saiu da boca de alguém que dizia amar à Deus. Por que no fim o verdadeiro jejum sempre teve um nome – MISERICÓRDIA. E tem gente que não abandonou a fé por causa de Deus, abandonou por causa de uma palavra que alguém disse em nome dEle. Alguém que disse que estava falando por ele.

De nada adianta o jejum se ele serve apenas para a vaidade; para que a penitência seja autêntica, ela precisa mudar a forma de como tratamos os outros.

Assim, pensando sobre o tema, gostaria de convidar à todos a praticar a abstinência de forma concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras e atos que atingem e ferem nosso próximo. Que comecemos por desarmar a nossa língua, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não pode se defender às calúnias.

Sejamos aqueles que se tornam instrumentos nas mãos de Deus, levando a Palavra de Cristo. A Palavra que consola quem chora, que levanta quem caiu, que desperta quem estava adormecido. A Palavra que semeia esperança onde antes só havia dor.

Que possamos compartilhar os ensinamentos do Mestre, ainda que não seja diante de multidões ou a partir de um púlpito, porque a Palavra alcança lugares onde nossos pés jamais pisariam, toca corações que nunca veríamos e transforma vidas que talvez nunca conheceremos.

4.- O JEJUM NAS RELIGIÕES:

O jejum é uma prática espiritual presente em diversas religiões ao longo da história da humanindade. Embora as regras variem, ele geralmente está associado à purificação, à disciplina, ao arrependimento, ao fortalecimento espiritual e à aproximação com a divindade. Assim, farei uma breve resumo de como funciona o jejum dentre as religiões.

4.1.- NO CRISTIANISMO:

Assim como já deu uma pincelada acima, citando a quaresma como exemplo, no cristianismo, o jejum é visto como uma forma de penitência, oração e preparação espiritual. O jejum, na igreja católica é especialmente praticado na QUARESMA, período de 40 dias que antecede a Páscoa, em memória ao jejum de 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto.

A prática costuma envolver redução alimentar e abstinência de carne em dias específicos; já nas igrejas protestantes, o jejum é voluntário e pode ser total ou parcial, frequentemente acompanhado de intensas orações, cujo objetivo principal é o arrependimentos dos pecados, humildade e fortalecimento da fé.

4.2.- NO ISLAMISMO:

No islamismo, o jejum é considerado um dos 5 pilares da fé. Durante o mês sagrado do Ramadã os mulçumanos jejuam do nascer ao por do sol. Não é permitido comer, beber, fumar ou manter relações sexuais durante o período diurno. O jejum é quebrado ao pôr do sol, com a refeição chamada iftar e tem como objetivo, desenvolver o autocontrole, a gratidão, a empatia aos necessitados e a obediência à Allah.

4.3.- NO JUDAISMO

No judaísmo, o jejum está ligado ao arrependimento e à expiação dos pecados. O jejum mais importante ocorre no Yom Kippur, conhecido como dia do perdão, com duração de cerca de 25 horas, no qual não se consegue comida e tampouco bebidas durante o período e assim como outras religiões, seu objetivo é em razão do arrependimento dos erros, e dos pecados; da reflexão e da reconciliação com Deus.

4.4.- NO HINDUISMO

No hinduísmo o jejum é bastante diversificado, pode ser dedicado à divindades específicas, como é o caso de Shiva ou Vishnu. Alguns jejuns permitem frutas e leites e outros são mais rigorosos, e estão frequentemente associados à festivais religiosos e promessas pessoais, e também como objetivo de purificação do corpo e da mente, disciplina espiritual e devoção.

4.5.- NO BUDISMO

E por fim, no budismo, o jejum não é central como em outras religiões, mas há prática de moderação alimentar, onde os monges geralmente não se alimentam após o meio dia e o foco está no desapego e no equilíbrio seguindo os ensinamentos de Sidarta Gautama, cujo objetivo é o autocontrole, o desapego e a disciplina mental.

Percebemos que embora as diversas religiões e práticas do jejum, em todas as tradições ditas acima, o jejum tem uma intenção: PURIFICAÇÃO.

5.- O JEJUM SOB A VISÃO ESPÍRITA:

E o que nos ensina a doutrina espírita quando falamos em jejuar, quando falamos em jejum?

Na visão da doutrina espírita, codificada pelo professor Allan Kardec, o jejum não é uma prática obrigatória nem um meio especial de elevação espiritual como é visto em algumas tradições religiosas.

O espiritismo nos ensina que a espiritualidade está na intenção, não na prática física, ensina que o crescimento espiritual depende principalmente da transformação moral, do esforço em melhorar nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossas atitudes e não de práticas extremas como o jejum.

O corpo deve ser respeitado, posto que é visto como instrumento da nossa alma. Portanto, enfraquece-lo intencionalmente sem necessidade não é considerado um mérito espiritual. Fazer a caridade é mais importante que os sacrifícios físicos.

O evangelho nos ensina que a caridade, o perdão e a reforma íntima são os verdadeiros caminhos de elevação e evolução moral e espiritual.

Que jejuar pode ter valor se tiver propósito equilibrado, ou seja, se jejuar por disciplina pessoal, saúde ou para exercitar o autocontrole, isso pode ser positivo, desde que não haja fanatismo nem prejuízo à saúde, cujo valor está entre a intenção e o equilíbrio.

Para nós, espíritas, não é o que entra ou deixa de entrar pela boca que purifica o espírito, mas sim o que sai do coração, o que sai dos nossos pensamentos, palavras e ações. Será que Deus se importa mais como o que colocamos na boca ou com o que cultivamos em nossos corações? Nem precisamos pensar muito para responder, é pergunta de cunho obvio.

No evangelho segundo o espiritismo, o professor Allan Kardec aborda o jejum principalmente ao comentar os ensinamentos do mestre no tocante à sua pureza interior e a intenção moral, mostrando-nos que o verdadeiro mérito não está na privação material, mas sim na transformação íntima.

O capítulo 17, SEDE PERFEITO, item 4, último parágrafo, diz assim: RECONHECE-SE O VERDADEIRO ESPÍRITA PELA SUA TRANSFORMAÇÃO MORLA E PELOS ESFORÇOS QUE FAZ PARA DOMAR AS SUAS MÁS INCLINAÇÕES, enquanto que um se compraz em seu horizonte limitado, o outro, que compreende alguma coisa melhor, se esforça para se libertar e sempre o consegue quando tem vontade firme.

Aqui está o verdadeiro jejum! DOMAR NOSSAS MÁS INCLINAÇÕES, e eu posso afirmar, aquele que se conhece, com toda certeza sabe quais são elas. Domar as más inclinações é mais exigente que qualquer privação material, porque mexe com o orgulho, mexe com o ego, melhor com as nossas sombras.

Essa passagem do evangelho é uma das mais conhecidas do espiritismo, pois destaca que ser espírita não é apenas aceitar a doutrina intelectualmente falando, mas principalmente buscar a melhora moral contínua.

Domar as más inclinações é como fazer um jejum da alma. Assim como o jejum físico é a abstinência voluntária de alimentos para disciplinar o corpo, o jejum moral é a abstinência voluntária de atitudes negativas para disciplinar o espírito.

Onde, no jejum físico a pessoa sente fome, surge o impulso natural de comer e a escolha consciente de não ceder. Já no jejum moral, surge o impulso da irritação, do orgulho, da maledicência, que tanto falei acima, da impaciência. Sendo que a tendência automática é a reação e é aí que entra a boa vontade do espírita, de colocar em prática a escolha de não ceder, pautado no ensinamento de que o que muito me foi dado, muito me será cobrado e isso nada mais é que conhecimento de causa. Uma vez tendo conhecimento da verdade espiritual não podemos mais alegar ignorância.

Dessa forma, domar as más inclinações é aprender a não alimentar aquilo que nos desequilibra. Se no jejum físico deixamos de alimentar o corpo por um tempo, no jejum moral, deixamos de alimentar o orgulho com discussões desnecessárias, a vaidade com a necessidade de aplauso; a ira com respostas agressivas; a maledicência com comentários negativos

É preciso, meus amigos, a disciplina do impulso.

Não foi à toa que um dos ensinamentos mais marcantes de Emannuel, à Chico Xavier, foi: DISCIPLINA, DISCIPLINA, DISCIPLINA. Emanuel, um dos mentores de Chico, orientando-o na mediunidade na vida espiritual, frequentemente enfatizava a necessidade da disciplina, da paciência e constância no trabalho e na reforma íntima.

No contexto da frase, a mensagem não era apenas sobre ordem ou regras externas, mas sim sobre disciplina interior: treino da mente, do espirito e das atitudes diárias para evoluir e praticar o bem. É uma forma de reforçar que a espiritualidade não é apenas um sentimento ou inspiração, mas também uma prática constante e um esforço contínuo.

Assim, é preciso antes de tudo disciplinar o impulso. É exatamente no momento em que o impulso surge, que a consciência deve intervir. O verdadeiro espírita não é aquele que nunca sente más inclinações, mas aquele que percebe vigia e decide não se deixar governar por elas.

Assim como o jejum físico como eu já disse fortalece o corpo e a vontade, o jejum moral fortalece o caráter.

Segundo os ensinamentos do professor Allan Kardec, o jejum moral consiste em:

  1. Evitar pensamentos negativos: raiva, inveja, orgulho, mágoa ou qualquer sentimento que possa prejudicar a si mesmo ou aos outros.

  2. Controlar palavras e atitudes: ser cauteloso ao falar ou agir, evitando injustiças ou ofensas.

  3. Refletir sobre os próprios atos: promover introspecção e correção de falhas morais.

  4. Praticar o bem: desenvolver virtudes como a caridade, a paciência, a humildade e a tolerância.

Portanto, o jejum moral nada mais é do que deixar de alimentar:

  • 1a maledicência

  • 2a irritação

  • 3o orgulho

  • 4a intolerância

  • o julgamento precipitado

  • o ressentimento

Eu pergunto à vocês, quem aqui nunca perdeu a paciência? Se não perdeu é por que já não a tem (rs); Quem nunca respondeu de forma dura? Quem nunca guardou uma mágoa? Estamos todos em processo de burilamento! E eu adoro esse termo!

Jejuar não é apenas fechar a boca para o alimento, é fechar o coração para o mal. É morrer para as próprias sombras e permitir que a luz divina de Jesus cresça sobre nós.

O jejum moral é um treinamento diário da alma. Cada vez que deixamos de responder com agressividade, que optamos pelo silêncio prudente, que perdoamos ao invés de revidar, estamos jejuando do mal e nutrindo não somente dentro de nós, mas à todos aqueles que conosco convivem, o bem. É um exercício contínuo de autodomínio.

6.- JEJUM E A BÍBLIA – ANTIGO TESTAMENTO:

6.1.- ISAIAS:

No livro de Isaias, um dos principais escritos proféticos do Antigo Testamento, atribuído ao profeta Isaias, filho de Amoz, que foi reconhecido tanto pelo judaísmo quanto pelo cristianismo pelas mensagens de esperança e restauração espiritual, precisamente em seu capítulo 58, item 6 e 7 que diz assim:

⁶ Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?

⁷ Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

Isaías destaca que o jejum que agrada à Deus vai muito além de restrições alimentares ou rituais externos. Ele enfatiza ações práticas de justiça, compaixão e generosidade.

Ensina-nos a importância sobre:

*Libertar os oprimidos: “Soltar as correntes da injustiça” indica agir contra toda forma de opressão, desigualdade e exploração.

*Cuidar dos necessitados: “Repartir o pão com o faminto” mostra a importância de compartilhar recursos materiais com quem precisa.

*Acolher e proteger: “Dar abrigo aos pobres e necessitados” reflete hospitalidade, empatia e compromisso com o bem-estar do próximo.

6.2.- ESDRAS

O trecho de Esdras 8:21–23 descreve um momento em que Esdras reconhece a necessidade da ajuda e proteção de Deus antes de uma jornada importante. Ele convoca o povo a jejuar e orar, demonstrando humildade e dependência divina, pois compreende que não pode enfrentar os desafios apenas com suas próprias forças. O objetivo do jejum não é apenas a abstinência de comida, mas uma busca sincera por direção e proteção divina.

O texto nos mostra que há:

1.- Reconhecimento da dependência de Deus – Esdras admite que a segurança e o sucesso da viagem não estão nas armas ou estratégias humanas.

2.- Jejum como forma de preparação espiritual – O jejum simboliza arrependimento, humildade e foco na vontade de Deus.

3.- Confiança na intervenção divina – A ação de jejuar é acompanhada de oração, mostrando fé de que Deus ouvirá e proverá proteção durante a jornada.

6.3.- CRÔNICAS

Em 2 Crônicas 20:3, vemos o rei Josafá diante de uma grande ameaça militar. Ao receber a notícia de que exércitos inimigos vinham atacar Judá, ele não recorre imediatamente à guerra, mas toma uma atitude espiritual.

1.-Proclama um jejum em todo Judá: Convoca o povo a se humilhar diante de Deus, buscando orientação e intervenção divina.

2.- Busca a ajuda de Deus antes da batalha: Ele se mostra temente e dependente de Deus, reconhecendo que a situação está além do poder humano.

3.- Une o povo em oração e clamor: Essa ação fortalece a coesão espiritual, preparando todos para confiar no Senhor.

Esta passagem mostra como a fé ativa, através do jejum e oração, pode transformar situações de medo em vitórias espirituais e físicas, já que, posteriormente, Deus intervém e o inimigo é derrotado sem que Judá precise lutar diretamente.

6.4..- DANIEL:

Ao falarmos de jejum, é impossível não lembrarmos de um episódio muito conhecido do Antigo Testamento: o chamado “Jejum de Daniel”. O relato está no capítulo 1, versículo de 8 a 16, do Livro de Daniel, que diz assim:

Daniel, porém, decidiu não se contaminar com a porção de comida do rei nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que não o obrigasse a se contaminar. Deus concedeu a Daniel o favor e a compaixão do chefe dos eunucos, e este disse a Daniel: “Temo o meu senhor, o rei, que nos tenha sob sua responsabilidade, ao escolhermos da comida do rei e do vinho que ele bebe, e que o rei nos observe com atenção e veja que não estamos com o mesmo aspecto saudável dos jovens da sua idade; então, vocês estarão colocando a minha vida em risco junto ao rei”. Então Daniel disse ao responsável pelos eunucos: “Experimente por dez dias os seus servos, e nos deem legumes para comer e água para beber. Depois, compare nosso aspecto com o dos jovens que comem da porção do rei, e trate de nós conforme achar melhor”. Ele concordou em fazer esse teste com eles por dez dias. Ao fim dos dez dias, eles pareciam melhores e mais bem nutridos do que todos os jovens que comiam a porção do rei. Portanto, o responsável pelos eunucos continuou a fornecer-lhes legumes.

Daniel e seus companheiros foram levados cativos para a Babilônia e passaram a viver no palácio do rei. Lá receberam uma dieta rica, proveniente da mesa real, porém, Daniel tomou uma decisão. Pediu para se alimentar apenas de legumes e água por um período de 10 dias. Daniel decidiu não se contaminar com a porção da mesa do rei e como o vinho, evitando alimentos impuros ou aqueles oferecidos aos ídolos; cuja atitude mostra fidelidade de Daniel à Deus, no qual se recusa a pecar pelo convívio das práticas idólatras do rei.

Vejam, Daniel estava cercado por luxo, poder e influência, mas escolhe a coerência. O jejum de Daniel é principalmente alimentar, mas seu propósito é espiritual e moral, demonstrando disciplina física, fidelidade moral e entrega espiritual. Não é somente um jejum de comida, mas uma prática de devoção que envolve corpo, mente e espírito.

Na Bíblia, a Babilônia era o lugar onde Daniel viveu em um ambiente estrangeiro, cheio de tentações e pressões para aceitar práticas que iam contra sua fé. Hoje nossa “Babilônia” pode ser qualquer contexto que nos force a comprometer valores. Por exemplo:

  1. Ambiente de competição desleal → onde se ganha vantagem prejudicando outros.

  2. Cultura da maledicência → fofocas, críticas destrutivas e julgamentos constantes.

  3. Normalização da mentira → em que mentir se torna aceitável ou esperado.

  4. Incentivo ao orgulho → onde a vaidade e a arrogância são exaltadas.

Esses ambientes funcionam como “pressões externas” que testam nosso caráter, igual à tentação que Daniel enfrentou na corte do rei.

O jejum de Daniel nos ensina que o verdadeiro jejum começa quando escolhemos não nos alimentar de influências negativas, e isso é profundamente moral.

7.- JEJUM E A BÍBLIA – NOVO TESTAMENTO:

Quando falamos em jejum segundo o Novo Testamento, a primeira coisa que todos nós pensamos e lembramos é da passagem que retrata Jesus no deserto. O jejum de Jesus no deserto é um dos momentos mais profundos da vida espiritual do mestre. Ela aparece tanto nos evangelhos de Mateus, como Marcos e Lucas, o que vou em seguida falar um pouquinho de cada uma delas, mas antes gostaria de retratar de forma concisa a vida do nosso Governador espiritual até sua chegada ao deserto para jejuar.

Foi por volta dos trinta anos, quando Jesus deixa a vida discreta em Nazaré e vai ao encontro de João Batista, que pregava o arrependimento às margens do rio Jordão. Multidões iam ao encontro de João Batista para ouvi-lo, para confessar seus pecados e ser batizados como sinal de mudança de vida.

O batismo de Jesus é narrado também nos 03 evangelhos acima citados. E o mais detalhado está em Mateus, onde retrata o diálogo entre Jesus e João Batista, e ela diz assim:

Mateus, Cap 3, versículo 13 a 17: Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?

Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.

E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.

E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Vejam, João Batista não se sentia digno de batizar Jesus, tampouco ser batizado por ele próprio. João Batista realizava batismos de arrependimento, mas Jesus não tinha pecados! Então qual a razão de ser batizado?

Reparem na humildade do nosso mestre!

Jesus pede para ser batizado como forma de se identificar, se equalizar com a humanidade, Ele se coloca no lugar das pessoas que vieram buscar o arrependimento, mesmo não sendo pecador. E ao ser batizado marca publicamente o início da sua missão, o começo do seu ministério, mostrando para gente o que? Obediência aos planos de Deus, mostrando sua submissão total à vontade do Pai.

Por isso ele enfatiza à João: cumpramos a justiça! E o que é dar cumprimento à justiça? É cumprir a vontade de Deus! Logo após, o céu se abre e Deus assegura: este é o meu filho amado – confia nEle.

Logo após o batismo, o espírito conduz Jesus para o deserto. O deserto para o povo judeu, era lugar de prova, de silêncio e encontro profundo com Deus, lá Jesus jejuou 40 dias e 40 noites, foi tentado pelo diabo e permaneceu firme na palavra de Deus. E agora vou falar um pouco desse período baseado nas passagens dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.

7.1.- MATEUS:

No evangelho de Mateus, capítulo 4, versículo 1 a 11, diz assim:

Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.

E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.

Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Então o diabo o transportou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás,e só a ele servirás. Então o diabo o deixou; e eis que chegaram os anjos, e o serviam.

O que essa passagem nos ensina?

Logo após o batismo, o espírito conduz Jesus ao deserto. Jesus não vai ao deserto à sua própria revelia, não vai por acaso – Jesus vai para se preparar espiritualmente para a sua missão. Foi nesse mesmo deserto; lugar de solidão, silêncio e prova que o povo de Israel aprendeu a depender de Deus.

No deserto, Jesus jejua por 40 dias e 40 noites, quando sente fome e é tentado pelo diabo.

As tentações atacam Jesus em 3 aspectos da vida humana:

NECESSIDADE FÍSICA: – Se tu és o Filho de Deus, transforme estas pedras em pães.

ORGULHO E RECONHECIMENTO: pular do templo – Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito.

E por fim, o DESEJO DE PODER: governar os reinos sem passar pelo sofrimento – Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

Mas Jesus resiste às tentações, respondendo ao diabo através das escrituras:

Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Jesus nos mostra que a vida humana não depende apenas de alimento físico ou conforto material. O que sustenta verdadeiramente a vida é a Palavra de Deus, ou seja, viver de acordo com a vontade de Deus, confiar nEle e obedecer aos seus princípios.

E qual a relação da passagem com o tema do nosso estudo? TUDO!

Jesus sempre nos falou do jejum moral, nunca da restrição, da dieta. Essa passagem ensina várias lições:

    1. Prioridade espiritual: As necessidades do corpo são importantes, mas a alma depende da conexão com Deus.

    2. Dependência de Deus: Mesmo em situações de necessidade, confiar na Palavra de Deus é mais essencial do que buscar soluções fáceis.

    3. Resistência à tentação: Jesus mostra que enfrentar tentações exige recorrer à verdade de Deus, não a atalhos ou facilidades.

Esse período — batismo, voz do Pai, condução ao deserto, jejum e tentação — prepara Jesus para iniciar seu ministério público. Ele demonstra que primeiro vem a identificação com a humanidade, a obediência e a preparação espiritual, antes de começar a pregar, curar e ensinar. E olha outra coisa interessante que eu descobri.

O número 40 na Bíblia representa tempo de prova e preparação:

  • 40 dias do dilúvio;
  • 40 anos do povo de Israel no deserto;
  • 40 dias de Moisés no monte Sinai;
  • 40 dias de Elias até Horebe.

Ainda no evangelho de Mateus, capítulo 6, versículo 16 a 18, Jesus nos ensina que o jejum deve ser feito em secreto, sem aparência de religiosidade.

“Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas; porque desfiguram o rosto para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto para não parecer aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

Jesus ensina-nos sobre a prática da vida espiritual autêntica, diferenciando: a religiosidade hipócrita (pautada em fazer atos de devoção para impressionar os outros); da espiritualidade verdadeira que é a prática da fé com sinceridade para Deus, não para validação humana. Naquela época, alguns jejuam para mostrar o sofrimento no rosto ou na aparência abatida, por pura notoriedade. Jesus repreende deslocando o foco da aparência, para a intenção: como quem diz: o problema nunca foi o jejum, o problema sempre foi o coração.

Por fim, em Mateus, capitulo 15, versículo 11, diz assim: NÃO É O QUE ENTRA PELA BOCA QUE CONTAMINA O HOMEM, MAS O QUE SAI DA BOCA. E o que tem saído da nossa boca? Essa pergunta se agrada ou te constrange?

7.2.- LUCAS:

No evangelho de Lucas como dito acima, no capítulo 4, versículo 1 e 2, também fora retratado o momento do recolhimento de Jesus no deserto, porém, de uma maneira mais simplificada do que a descrita no evangelho de Mateus e ela diz assim:

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo Espírito no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.”

Vejam: Lucas retrata que Jesus estava “cheio do espírito santo” e “guiado pelo espírito santo”. Jesus jejuou pois passava por momentos decisivos, seu recolhimento foi necessário para ouvir a boa intuição que vinha de Deus, para fortalecer seu espírito, se preparando para enfrentar as mais difíceis tentações e sempre na dependência do espírito santo, que nada mais é que a presença constante e a fé ativa e viva nos propósitos de Deus- Pai.

Ainda no evangelho de Lucas, capítulo 2, versículo 37, fala-se sobre Ana, a profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, viúva e idosa, uma mulher de profunda devoção e perseverança espiritual. Após perder o marido, Ana passa a dedicar sua visa inteiramente ao serviço de Deus, e a passagem diz assim:

“E era viúva de quase oitenta e quatro anos; não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.”

Lucas destaca que Ana não se afastava do templo – mostrando, assim, que sua vida era centrada na presença de Deus. Seu serviço não era ocasional e passageiro, embora de idade avançada, servia fiel e continuadamente, por meio de jejuns e orações; dia e noite, revelando uma vida marcada por disciplina espiritual, comunhão constante e expectativa pelo agir do Senhor. O jejum, nesse contexto, aparece como parte de uma prática sincera de consagração. Não era um ato de aparência religiosa, mas uma expressa de entrega, dependência e esperança. Ana vivia aguardando a redenção de Israel e sua sensibilidade espiritual era tão profunda que ela reconheceu o menino Jesus como sendo o cumprimento da promessa de Deus. Ana é exemplo de fidelidade, esperança e dedicação à Deus, mesmo que em meio à perdas e o passar dos anos.

7.3.- MARCOS:

Como sabemos os evangelhos dos discípulos e até mesmo dos apóstolos, retratam basicamente as mesmas histórias, porém, cada uma narrada à sua maneira. Marcos, retrata o recolhimento de Jesus no deserto da seguinte forma: “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, e os anjos o serviam”

Em Marcos, a passagem é breve, mas muito significativa. Logo após o seu batismo, quando o Espírito Santo desce sobre Ele e o Pai o declara como Filho amado, Jesus é imediatamente conduzido pelo Espírito ao deserto. Marcos usa uma expressão forte ao dizer que o Espírito o “impeliu”, mostrando que aquele momento fazia parte do plano divino e não foi algo casual.

O texto afirma que Jesus permaneceu no deserto sem explicitar o jejum e estava entre as feras, enfatizando o ambiente hostil e solitário do deserto, mas também registra que os anjos o serviam, revelando o cuidado e o sustento de Deus em meio à provação. Essa passagem mostra que o início do ministério de Jesus foi precedido por um tempo de preparação, confronto espiritual e dependência total do Pai, evidenciando que, antes de grandes missões, há momentos de prova e intimidade profunda com Deus.

8.- O JEJUM E O LIVRO DOS ESPÍRITOS:

Embora no livro dos Espíritos, codificado pelo professor Allan Kardec, não se use exatamente a expressão “jejum moral”, o conceito está alinhado com vários ensinamentos da obra.

O livro enfatiza que a verdadeira transformação espiritual não está em práticas externas, e nem mesmo extremas, como o jejum alimentar, mas sim, na reforma íntima, ou seja, no esforço consciente de melhorar pensamentos, sentimentos e atitudes.

Na terceira parte do livro, que fala das Leis Morais, especialmente na Lei da Justiça, amor e caridade, os espíritos nos ensinam que:

  1. O mérito está na intenção e na moralidade do ato.

  2. Privações materiais só têm valor quando úteis ao próximo;

  3. A verdadeira pureza é a do coração.

  4. O homem deve combater suas más inclinações.

Combater às más inclinações, é justamente o que muitos de nós espíritas chamamos de jejum moral. É identificando nossas más inclinações e burilando, domando nosso espírito, que jejuamos moralmente.

É abster-se de sentimentos negativos como o orgulho, a inveja, o egoísmo e a raiva; é vigiar os pensamentos; é praticar a caridade e a indulgência.

A questão 918 do livros dos espíritos, nos afirma que o “verdadeiro homem de bem” é aquele que pratica a lei da justiça, do amor e da caridade na sua maior pureza, reforçando que o ponto alto é a transformação interior. E ela diz assim:

**“O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se interroga a consciência sobre os próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo o que desejara que os outros lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bom, humano e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem exceção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe deu poder e riqueza, considera essas coisas como um depósito de que deve usar para o bem, e não se envaidece delas, porque sabe que Deus, que lhes deu, também lhes pode retirar.

Se a ordem social colocou outros homens sob a sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também tem necessidade de indulgência e se lembra destas palavras do Cristo: ‘Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra.’

Não é vingativo; a exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, porque sabe que lhe será perdoado conforme houver perdoado.

Finalmente, respeita em seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe sejam respeitados.”**

Se nos aprofundaremos no texto o que podemos extrair? O que de fato aprendemos?

Quando se fala em “se interroga a consciência sobre os próprios atos…” Aqui começa o jejum moral: na vigilância dos pensamentos, na reanálises das atitudes, no reconhecimento das falhas – portanto, FALAMOS DE UM EXAME DE CONSCIÊNCIA.

Quando se fala: faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa… Os espíritos querem nos ensinar sobre FAZER O BEM SEM INTERESSE, nos abstendo do orgulho, da vaidade e do interesse pessoal.

Quando fala em.. Não se envaidece, o que entendemos? Combater o orgulho. Nada mais é que um jejum do ego, da superioridade e do apego.

Quando ele fala – é indulgente para com as fraquezas alheias, não é vingativo, perdoa as ofensas, eles nos ensinam sobre indulgência e perdão, sobre jejuar do ressentimento, do julgamento severo e do desejo de vingança.

Por fim, quando ele fala: “vê irmãos em todos os homens” eles nos ensinam sobre igualdade e fraternidade, jejuando do preconceito, da discriminação e do exclusivismo.

Em resumo, se o jejum físico é abster-se de alimento, o jejum moral, à luz da doutrina espírita, nada mais é que abster-se do ORGULHO, DO EGOISMO, DA VAIDADE, DO JULGAMENTO DURO E DO PRECONCEITO, e ao mesmo tempo, ensina-nos a alimentar-se de CARIDADE, JUSTIÇA, AMOR , HUMILDADE E INDULGÊNCIA.

Já a questão 919 pergunta assim: Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamento do mal? E a resposta: “um sábio da antiguidade vo-lo disse: CONHECE-TE A TI MESMO. Os espíritos nos orientam ao exame diário de consciência, revisando dia a dia nossas falhas, e você, faria/erraria novamente? Não tem segredo, gente, embora não seja fácil, é treinável – vigilância constante sobre pensamentos e atitudes.

Lembremos – não há evolução sem esforço moral. Não levamos nada matéria dessa visa, levamos apenas nosso caráter, nossa moral, por isso, a importância do jejum moral, é investimento vitalício para o espírito.

9.- CHICO:

No livro SEMENTE, psicografado por Chico, do espírito Emmanuel, leitura 30 diz assim: A LINGUA REVELA O CONTEÚDO DO CORAÇAO.

9.- JOSÉ CARLOS DE LUCCA:

No livro SEMPRE MELHOR, de José Carlos de Lucca, uma espécie de pílulas diárias espirituais, item 81, diz assim: Nossas queixas, reclamações, comentários maledicentes e pessimistas podem ser equiparados a verdadeiras bombas lançadas em nossa trilha, arrasando a saúde e a paz. O rebelde não é cooperativo, quer que as coisas sejam do seu modo, não tem flexibilidade e humildade, por isso, vive atolado em problemas que terminam por enfraquecer suas resistências físicas, vivendo em quase completo esgotamento. Daí porque, provavelmente, viverá na Terra menos do que se poderia viver. Deus não nos colocou no planeta para criticarmos a sua obra. Não somos fiscais e sim cooperadores de Deus. Aqui estamos para aperfeiçoar a criação pelo nosso próprio aperfeiçoamento. Então vamos positivar a nossa vida, atraindo o bem, trocando a crítica pelo elogio, a queixa pela gratidão, a revolta pela tolerância e a reclamação pelo serviço.

10.- REFLEXÃO:

E, seguindo ao final do nosso estudo, gostaria de propor uma reflexão à cada um de vocês.

Se você tivesse que escolher um jejum moral para iniciar hoje, qual seria? Qual a sua dificuldade e consequentemente sua prova? Seria:

O jejum da impaciência?

O jejum da crítica?

O jejum da reclamação?

O jejum do orgulho, da vaidade?

O jejum da Ira? No trânsito, na família, no trabalho. Jejuar da resposta atravessada.

O jejum do egoísmo?

Ou jejuar do ressentimento? Todos difíceis não é mesmo? Mas este em especial, talvez o mais. Porque exige perdoar quando ainda dói.

Ah, meus irmãos em Cristo, jejuar não é sobre deixar de comer! É deixar de ferir, é deixar de alimentar que tanto nos atrapalha, é escolher como Daniel, FIDELIDADE! É escolher, como Jesus, PERDOAR. Como muito bem nos lembra a Sueli nos seus estudos, AJUDA-TE, QUE OS CÉUS TE AJUDARÁ. Fazemos nossa parte, sejamos comprometidos com uma mudança real, buscando nossa moralização, porque o mundo está cheio de gente rasas, gente mornas! Sejamos a sal da Terra.

Jesus disse, evangelho de Mateus, capítulo 5, versículo 13, “Vós sois o sal da terra; mas se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar?”

O que essa bela lição nos ensina? Significa que os servos do Cristo devem fazer a diferença no mundo — preservando valores, dando “sabor” (sentido) à vida e influenciando positivamente as pessoas.

11.- ENCERRAMENTO:

Assim, agradeço mais uma vez à presença de todos e peço humildemente a Deus, nosso Pai de amor e bondade que nos ensine o verdadeiro jejum. Aquele que nos torna mais pacientes, humildes e mais fraternos. Ajuda-nos a domar nossas más inclinações, guarde também a nossa boca e a nossa língua de tudo aquilo que fere para que nossas palavras sejam instrumento de vida, e não de destruição. Que assim seja!

FONTES:

  1. Bíblia sagrada;

  2. O Evangelho segundo o Espiritismo;

  3. Livro dos Espíritos;

  4. SEMENTE, psicografado por Chico, do espírito Emmanuel;

  5. Vivendo o evangelho – psicografia de Antonio Baduy Filho, pelo Espírito André Luiz;

  6. Sempre melhor – José Carlos de Lucca

Share This Post!

Livre Arbítrio, palestra 28.01.26

Pesquisar Assunto

Categorias

Tópicos recentes

  • Jejum Moral – palestra 25.02.25
  • Livre Arbítrio, palestra 28.01.26
  • Série psicológica de Joanna de Ângelis – Parte II, palestra 30.06.25
  • Livro Libertação – 1ª parte, palestra 29.10.25
  • Magnetismo, palestra 24.09.25

Arquivos

  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • setembro 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • outubro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • janeiro 2022
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • janeiro 2021
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • agosto 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • fevereiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • maio 2019
  • março 2019
  • janeiro 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • março 2017
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • dezembro 2014
  • novembro 2014
  • outubro 2014
  • setembro 2014
  • agosto 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • fevereiro 2014
  • janeiro 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • dezembro 2012
  • outubro 2012
  • junho 2012
  • abril 2012
  • março 2012
  • fevereiro 2012
  • janeiro 2012
  • dezembro 2011
  • novembro 2011
  • outubro 2011
  • setembro 2011
  • junho 2011
  • maio 2011
  • abril 2011
  • fevereiro 2011
  • janeiro 2011
  • dezembro 2010
  • setembro 2009
  • março 2009
  • fevereiro 2009
  • agosto 2008
  • março 2008
Conhecer o Passado, Trabalhar no Presente e Construir o Futuro
O espiritismo não será a religião do futuro, e sim o futuro das religiões.
Copyright CELC