As Penas
Quando pequenas, minha irmã e eu éramos muito sonhadoras. O sonho e a imaginação se conjugam muito bem. E, de quando em vez, inventávamos histórias sobre nossas companheiras. Essas histórias se transformavam em boatos que, em uma cidade pequena, terminavam por provocar dissabores e desagradáveis
A Vaidade
Quando minha irmã e eu tínhamos cerca de sete e nove anos, respectivamente, alcançamos as notas mais altas de nossa classe, na escola. Assim, decidimos que, em matéria de “cérebros”, nossa família estava muito acima da média. E não perdemos tempo para fazer os nossos companheiros de brinquedos cientes disso.
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A Traça
Meu pai era um homem frugal e bom. Ensinou-me, desde muito cedo, a entreter-me com as coisas aparentemente mais simples.
Um dos meus passatempos em criança era colecionar os casulos das traças e assistir, na primavera, à emersão das borboletas, espetáculo _ para mim _ de arrebatadora beleza. A luta delas para escapar do cárcere despertava, sempre, minha compaixão.
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A Tina
Meu pai morreu quando eu era muito pequena.
Viúva e pobre, sem desejar contrair novo matrimônio, minha mãe teve de trabalhar muito para nos sustentar.
Quando fiquei um pouco maior, disse-lhe que gostaria imensamente de estudar música.
Ela me ouviu com muita atenção e, dali para frente, redobrou esforços para alugar um piano e custear o pagamento das aulas.
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A Tartaruga
Quando menino eu era impaciente, arreliado e áspero no tratamento com as outras pessoas.
Quando desejava alguma coisa, ao invés de solicitar com educação, azucrinava os ouvidos alheios até que, para se livrarem de mim, davam-me o que pretendia. Assim, transformara-me em uma criança moleta e pouco simpática.
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A Tábua
Quando menino eu era traquinas, rabugento, respondia a tudo que me dissessem e não contribuía absolutamente para que nossa casa fosse um paraíso. Muito pelo contrário!
Meus pais me aconselhavam com paciência infinita e com muito amor , sem que eu, entretanto, seguisse os seus conselhos.
Um dia
A Serra
Quando eu era menina, uns tios e seus filhos vieram residir na casa de meus pais.
Minha prima e eu costumávamos discutir continuamente enquanto nos desobrigávamos das tarefas da casa.
Como eu era a mais velha, tinha a pretensão de querer ensinar-lhe a fazer as menores coisas, o que, é claro, a contrariava.
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A Resina
Eu era – quando pequena – tão conscienciosa e preocupada que a menor tragédia infantil me deixava acabrunhada e doente de escrúpulos.
Um dia, em meio ao verão, caiu uma chuva excepcionalmente pesada, com uma ventania que carregou tudo em torno de nossa casa.
Quando o tempo melhorou, meu pai convidou-me para dar um passeio e levou-me pela trilha do bosque.
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A Ociosidade
Quando em pequenos, meu irmão e eu éramos vadios e preguiçosos. Todo pretexto nos servia para faltarmos com nossos deveres, cabular as aulas e ficar vagabundeando pelos pomares, campos ou quarteirões da cidade onde vivíamos. Evidentemente nossos pais se aborreciam com aquilo, mas, em lugar
A Moenda
Em um certo fim de ano, ao se encerrarem os cursos, fui o primeiro colocado em minha turma. Isso me fez muito vaidoso e passei a ver os meus companheiros pelo prisma de minha “superioridade”. Costumávamos passar as férias na praia, porém, para surpresa minha e de meus irmãos, papai